Direita
Como política é irrelevante para o brasileiro médio, mas não da forma que você acha.
Esse texto é só minha tentativa de extravasar algo que considero óbvio, mas totalmente inexistente no pensamento do meu círculo social mais próximo.
A política do dia a dia é um saco. A polarização, entre outras coisas, é especialmente irritante.
Nunca tive uma boa experiência chamando pessoas para conversar sobre ideias e reflexões que tenho ou que ouvi falar para o Brasil. Porque, de forma subconciente, tudo que meu interlocutor consegue fazer é defender seu político de estimação e esquecer que esse nem é o foco do que estou tratando.
Uma anetoda que exemplifica bem o que quero dizer foi quando discuti sobre a eleição presidencial de 2026 com meu pai. Vide notícias recentes revelando uma relação concreta entre Flávio Bolsonaro — um dos candidatos à presidência e principal aposta da direita brasileira para tirar Lula do poder — e Daniel Vorcaro, além do caso envolvendo rachadinha no seu gabinete, já era impossível para meu interlocutor defender a idoneidade do candidato ou dar o benefício da dúvida. Ponto pra ele, muita gente nem é capaz disso, pelo que vejo por aí.
Porém, o que me fez escrever foi o que veio após, e que define boa parte da minha experiência pessoal tratando de política com pessoas comuns.
Mas ele é a única opção. Melhor que entregar o país na mão do Lula. Ele pode ser CORRUPTO? Pode. Pode ser LADRÃO? pode.
Mas ele não vai atacar a liberdade do cidadão como a esquerda faz. Não vai defender bandido (nem atacar, convenhamos).
Eu poderia dizer que existe uma opção melhor, RENAN ANTÔNIO FERREIRA DOS SANTOS, mas mais do que discutir pessoas, gosto de discutir ideias.
Ao invés disso questionei como poderiamos criar uma boa escolha no futuro, já que “não existe” uma boa opção para escolher agora.
Se todo político é corrupto, e nem os bolsonaro escapam disso, como você espera que o Brasil possa melhorar? Qual o caminho?
Elegendo gente de bem.
Mas já concordamos que não existe alguém assim entre os candidatos.
Tem que votar no menos pior, no Flávio.
É um raciocínio circular. Pensando só no aqui e no agora, se limitando a escolher entre as opções disponíveis. Sem conceber que existe um motivo, ou vários, que impedem que um verdadeiro “messias” apareça para corrigir o que está errado. Pelo menos sozinho.
Olavo de Carvalho, pelo pouco que sei, avaliava o Brasil como um país profundamente esquerdista em suas elites, produção midiática, jornalisto e cultura. E que não seria uma explosão de popularidade de um candidato solitário que faria o país mudar da água pro vinho. Apesar disso se deixou seduzir pelo fenômeno do Bolsonaro das eleições de 2018. Algo do qual ele se arrependeu posteriormente ao ver, na prática que sua antiga análise estava correta.
Para que um candidato realmente de direita consiga chegar ao poder de forma sólida e mudar o Brasil é necessário mais do que apenas o voto. É necessário uma rede de apoio, um partido, um movimento. É necessário um grupo coeso defendendo as mesmas pautas. E o principal: é necessário uma forma de perpetuar os incentivos que favorecem esse tipo de arranjo.
Eleger cada um os candidatos da Missão não valerá de nada se:
a forma de se fazer política em 2030 ainda for a mesma que em 2026 e 2022
políticos continuarem se beneficiando da pobreza da população enquanto prometem erradica-la
partidos que não representam um movimento ou ideologia, mas um balcão de negócio, continuarem existindo
Foda-se se o Renan não tem viabilidade de ganhar a eleição(discordo) ou se o Flávio é a única forma de tirar o PT(discordo).
O que vem depois? O que temos que fazer para aproveitar cada vitória? O que temos que mudar nas regras do jogo pra que ele vá na direção certa independente de grupo X ou Y no longo prazo?
Enquanto tento entender todas essas variáveis e discuti-las com quem se mostra disposto, gente “di direita” dizendo que o Flávio é a única salvação sem nem saber quantos candidatos, ou partidos, existem.
Todos estão obsecados em tirar o Lula e se esquecem de pensar no que vem depois. Ou pelo menos, o que devia vir. Já seria melhor do que nada.

Calma, meu nobre webamigo. Nosso momento vai chegar. O tempo vai inocentar sua ira e vingar nosso estresse.
Votarei no Aldo Rebelo, apesar de que alguns do DC queiram tirar ele da jogada.